O que faz o ser humano impotente e angustiado é a consciência da finitude, a mortalidade. Veio daí a criação das religiões. Vendo-se impotente, o ser humano precisou criar uma sobrevida, uma vida além desta vida; afinal, a grande angústia reside exatamente sobre a finitude, o nada. Qual é o sentido de toda esta nossa loucura sobre a Terra para chegar ao precipício irremediável da finitude, do nada? Essa consciência de um dia termos que mergulhar no abismo do nunca mais, do terrífico abismo dos nadas é que nos tira o sono… Veio daí a fábula da “Criação”, a invenção das religiões.
Fomos muito criativos. Mas não deu certo, o mais religioso dos religiosos não quer apressar a viagem para o outro lado… ah, não quer, bate o pé e quer continuar aqui, ainda que com as contas atrasadas e o sapato apertado…
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